Por Cristiane Moraes
Para ajudar a descobrir as nuances desse investimento conversamos com o especialista em mini-contratos futuros Luiz Alexandre Sanda, da FDR Corretora. Segundo ele, para ingressar nesse mercado primeiro o investidor precisa de disponibilidade de tempo, já que a operação demanda conhecimento e acompanhamento diário do mercado. Na opinião de Sanda, os profissionais liberais, que possuem uma maior flexibilidade de horário costumam se adaptar bem a esse tipo de operação.
Mesmo assim, para operar no mercado futuro, o investidor além de informação deve estar bem preparado psicologicamente. “Conheço muitas pessoas experts no assunto, que dominam a teoria, mas na prática não operam no mercado futuro por ter aversão a riscos. O investidor do Mercado Futuro deve tolerar o risco e saber aceitar as perdas que podem acontecer”, acentua Sanda.
Existem quatro tipos de mini-contratos futuros: Índice Bovespa, Dólar, Boi e Café. Os mais negociados atualmente e que possuem liquidez são o Índice e o Dólar, nessa ordem. Um aspecto muito interessante do Mercado Futuros é o conceito de vender sem ter comprado. Veja abaixo um exemplo que ajuda a entender essa questão.
Mini-Contrato Dólar Futuro Vendendo
Inicialmente para operar será preciso depositar uma pré-margem de R$ 1.110,00. No caso do Dólar Futuro, cada mini-contrato vale US$ 5.000,00. A partir desse momento você está apto a operar. Vamos dizer que no dia 02 de abril você decida vender pela cotação de US$ 2,3900. Você se mantém “posicionado” - expressão utilizada no mercado para dizer que continua vendendo a essa cotação. No final do dia é apresentado o ajuste da cotação que fica em US$ 2,3800. Você teve um “crédito” de R$ 50,00 (bruto) porque vendeu acima do valor de ajuste.
No dia 03 de abril você estará vendido a cotação de US$ 2,3800. No decorrer do dia compra um lote a US$ 2,3900, e sai da posição. Só que no final do dia é apresentado o ajuste da cotação que fica em US$ 2,3950. Você comprou maior do que valor de ajuste, portanto teve terá um débito de R$ 25,00. Todos os créditos e débitos são feitos na conta do investidor no dia posterior ao ajuste. Caso você não sai de posição, no dia 30/4, o Ptax, que é o ajuste do dólar pronto, será utilizado para zerar a posição.
Toda a movimentação das operações é realizada via webtrading pelo próprio investidor, que conta com o auxílio e ajuda da corretora, mas tem total autonomia de decisão.
Para Sanda, o mais indicado para quem quer investir no Mercado de Futuros, é iniciar apenas com o acompanhamento do mercado escolhido, durante pelo menos um mês, para perceber a volatilidade. Porque para aprender a usar stops é preciso experiência.
“Sugiro que o investidor iniciante no mercado futuro opere apenas um tipo de mini-contrato. Se optar pelo Dólar Futuro, busque informações, gráficos e acompanhe a realidade do mercado. No Índice Futuro, você vai perceber que a velocidade é muito diferente do mercado de ações. Portanto, tenha bem definido o seu perfil de investidor antes de ingressar nesse mercado ou escolher o tipo de mini-contrato”, esclarece.
Na opinião do especialista, o mini-contrato Dólar Futuro e Índice Futuro tratam-se de uma operação de risco, mas tem as suas vantagens, como a alavancagem e a liquidez. A desvantagem vista por Sanda é o prazo. “Como o contrato tem vencimento, você não pode mantê-lo. Já na Bolsa, se uma ação cai você pode ficar com ela até reverter a situação o que não acontece no Mercado Futuro”, encerra.
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