Por Fabiane Abel
Com um número cada vez maior de investidores individuais no país uma nova opção tem ganhado destaque: derivativos. O gerente comercial agrícola BM&F, Emmanuel Zullo Godinho, da Souza Barros Corretora, ajuda a decifrar esse novo método de investimento e fala dos riscos que investidor deve estar preparado para enfrentar.
“Quanto maiores os riscos expostos, maiores as rentabilidades”. Por isso, Godinho faz um alerta: “antes de tudo o investidor precisa saber que esse tipo de investimento é muito arrojado e é preciso estar preparado e, principalmente, atento ao mercado, para assumir o risco das grandes oscilações”.
Vamos ao significado técnico de derivativo: 1) Ativo financeiro ou valor mobiliário cujo preço e características de negociação derivam do ativo que lhe serve de referência. 2) Operação do mercado financeiro em que o valor das transações deriva do comportamento futuro de outros mercados, como o de ações, câmbio, juros ou mesmo de derivativo de outras bolsas. 3) Principais tipos de operações de derivativos: futuros, opções e swaps.
O gerente esclarece: “os derivativos são ativos que derivam de outro ativo financeiro ou do próprio ativo no mercado físico”. Agora você entendeu? Não? Bom, concordo que o tema é árido mesmo, mas o que você precisa saber é que a onda tem pego entre investidores, tanto homens como mulheres. A negociação de derivativos está presente em todos os mercados mundiais e no Brasil são negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
Quem investe? De acordo com Godinho, o perfil do investidor é diversificado e pode variar desde grandes tesourarias e fundos, produtores agropecuários de grande, médio e pequeno porte, empresas de defensivos agrícolas até pessoas físicas sem contato com a área agrícola. Segundo ele, o número de investidores pessoa física tem ganhado cada vez mais potencial nesse mercado.
O valor mínimo para começar é a margem de garantia do contrato. Se a pessoa quer comprar um contrato de café, por exemplo, a margem desse contrato está na faixa de R$1.500,00. “Esse valor funciona como um calção usado para deixar o contrato em aberto na Bolsa. Isso só é possível porque no mercado futuro o investidor não opera a mercadoria, mas sim a tendência do mercado”, explica.
“Se você entra comprando um contrato de café, você imagina que vai vender esse contrato de café com um preço mais alto, tendência de alta. O inverso também acontece, se você entra vendendo, é porque acha que o preço vai cair, tendência baixista”, diz o corretor.
BM&F – Bolsa de Mercadorias e Futuros Atualmente os contratos negociados são de soja, algodão, milho, café arábica, café conilon, açúcar, etanol e boi-gordo. Para cada um desses derivativos existem lotes próprios, já que cada um depende da safra e dos vencimentos. “Os derivativos em muitas bolsas estão atrelados em outras bolsas mundiais. No Brasil, a soja negociada na BM&F deriva do preço da soja no mercado mundial”, exemplifica Emmanuel.
Dentro de uma bolsa de mercado futuro existem vários players. O produtor age como hedger, entra na Bolsa porque deseja garantir um preço futuro, minimiza o risco da volatilidade dos preços da commodities em que está operando. Dessa forma, ele faz um hegde, uma proteção ao futuro, fixando assim o preço do seu produto.
A pessoa física é o especulador, também conhecido como scalper, atua absorvendo o risco do produtor e como não tem o produto físico só compra e vende tentando ganhar na diferença de preço. “O especulador sempre acompanha o mercado, se o mercado está subindo ele entra comprando, se o mercado cai ele vende”, diz Godinho.
“A diferença entre os dois é simples: o hedger tem que fixar um preço e correr da volatilidade, o especulador absorve esse risco e tenta ganhar na diferença de preço”, explica Emmanuel.
Perspectivas 2008 De acordo com o Emmanuel o ano de 2007 foi excelente para o mercado agrícola nacional, internacional e conseqüentemente para a BM&F. Em conseqüência disso, os produtores começaram a entrar na Bolsa e fazer mais hedge para garantir um preço. Para esse ano, fica ainda a incerteza de saber o tamanho do problema da crise norte-americana.
“Se não acontecer uma recessão mundial, continuaremos com altas taxas de exportação, muitos fundos entrarão comprando e vendendo contratos na Bolsa e o mercado começa a se tornar mais líquido do que já é para alguns derivativos. Caso aconteça a recessão mundial, a BM&F também pode aumentar seu potencial de negócios, porque tende a ficar mais produto (grãos) no mercado interno, reduzindo as exportações tendo como conseqüência queda dos preços do commodities agrícolas e isso é mais uma chance para o produtor fixar seu preço futuro protegendo contra uma baixa do mercado”, finaliza.
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